Acordei na quinta-feira com o sol no rosto. O quarto estava uma claridade absurda, pois a janela não tinha uma cortina nem uma persiana. Fui olhar as horas: 6h. Como está chegando o verão aqui, os dias são bem longos.
Não tinha mais sono. Só tinha vontade de levantar e começar a viver essa aventura maluca que é morar aqui. Me vesti e saí logo do albergue.

Dei de cara com uma Piccadilly Circus deserta, completo oposto do agito da noite anterior. Ainda era cedo e apenas algumas pessoas caminhavam com pressa para chegar ao trabalho. Parei um pouco para observar aquele lugar. Já era dia, mas o sol ainda não havia penetrado ali, escondido atrás daqueles prédios antigos.

Estava um pouco mais frio do que eu imaginava. Entrei em um McDonald’s onde tomei um café quentinho com donut e bisbilhotei num jornal, desses gratuitos que distribuem por aqui no metrô, que estava em uma mesa. Voltei para o hostel, coloquei calça e jaqueta (eu tinha colocado um vestido antes), organizei as minhas coisas e fechei a mala. Desci para fazer o check-out e deixar a mala no locker do albergue para passar o dia.

Desci para a estação de metrô e comprei um passe ilimitado de transporte, o Oyster Card, para uma semana. Parei para me situar e organizar o caminho que eu precisava fazer. Descobri rapidamente a lógica daquela teia de aranha que é o mapa do metrô de Londres e já saí para procurar a linha e sentido que eu precisava.

Depois da emoção de andar no metrô londrino pela primeira vez, cheguei na delegacia em Borough para fazer o registro obrigatório a todos os estudantes que ficarão aqui por mais de 6 meses, como eu. Esperei um pouco mas foi tudo bem eficiente e tranquilo.

Saindo de lá, voltei ao metrô novamente para ir à minha escola. A The English Studio fica bem em frente à estação de Holborn, onde passa a Central Line, então vai ser muito bom e muito fácil circular por ali. Fiz o teste de inglês e fiquei no nível Advanced. Terei aulas de segunda à sexta das 9 às 12h.

Também já encaminhei meu pedido para abertura de conta corrente no Barclays, um banco daqui para eu receber meu futuro salário, e o meu passe de estudante para o transporte, que tem um descontão. Saindo dali, sentei para almoçar um sandubão de baguette no Eat. – uma rede daqui. Depois, saí caminhando meio sem rumo e explorando o que encontrava pela frente.

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A famosa cabine vermelha! Tem por tudo, aqui!

Fui na direção sul e encontrei uma pequena igrejinha, chamada St. Clement Danes, já na avenida The Strand. Uma graça. Entrei, sentei no banco para admirar o interior dela e depois agradeci por estar aqui, por estar bem e por todas as coisas boas dessa vida.

Cheguei na estação de Temple e subi num terraço que tinha ali. Tive uma grata surpresa ao me dar conta que eu já estava na beira do Rio Tâmisa e já avistar a London Eye e o Big Ben. Fiquei por ali absorvendo aquilo tudo por um tempo e depois peguei o metrô ali mesmo para a estação de Westminster, onde eu tinha combinado de encontrar a Leila.

A primeira vez que vi o Big Ben!
A primeira vez que vi o Big Ben!

Mais chocada ainda fiquei quando saí da estação e dei de cara com o Big Ben de novo, mas dessa vez ali, bem pertinho. Estava no pé dele! Mal deu tempo de olhar muito e já encontrei a Leiloca querida. Saímos dali a pé e fomos até Oxford Street botando as conversas em dia e admirando a cidade.

Comprei na T-Mobile um telefone celular rosa bem bonitinho, pré-pago, por 25 libras. Circulamos pelas lojas sem comprar nada e depois fomos até o albergue pegar a minha mala para levarmos para a casa da Leila. Foi aquela confusão no metrô, mas o pessoal é muito gentil e algumas vezes nos ajudaram a carregar escada acima ou escada abaixo, até chegarmos na estação All Saints, onde fica a casa dela.

A região, East London, é bem interessante e diferente do que se imagina de Londres. São pessoas mais simples, de tudo que é tipo e lugar, vários restaurantes e lojas de comidas étnicas, e habitações mais populares. Mulheres de sari e de burca com crianças. Muitos africanos, indianos e muçulmanos, misturados com ingleses mais humildes. É uma região mais pobre, mas ainda assim tranquila, segura, razoavelmente limpa e com estrutura de transporte, escola, biblioteca e comércio muito acessível e a 15 minutos do centro.

O prédio da Leila fica num calçadão bem em frente à estação do metrô (nesse caso, DLR), então é só atravessar a avenida. Também tem um mercado de rua e um mercado Sommerfield bem no final da quadra, o que facilita bastante a vida. O único problema é que enquanto eu ficar aqui eu não terei a chave do apê, assim ainda dependo dos horários da Leila para vir pra casa. Mas a gente dá um jeito e ela está sendo uma amiga maravilhosa, uma irmã pra mim, muita sorte ter alguém assim logo na chegada.

A Leila aluga um quarto bem espaçoso com armário embutido e uma cama de casal. Vou ficar com ela até conseguir outro lugar para morar. No apartamento moram ainda um mexicano e um africano em cada quarto e três italianas que dividem o cômodo que seria a sala. Temos uma cozinha e um banheiro de bom tamanho para uso comum.

Tomei um banho, acomodei um pouco das minhas coisas e fomos num pub perto de Bank. Lá jogamos muita conversa fora, comemos umas batatinhas e tomamos uma cerveja. Depois voltamos para casa e dormimos, encerrando mais um dia maravilhoso e cheio de descobertas em Londres.

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