A sexta-feira chegou e acordei junto com a Leila para sair. Tomamos um café da manhã em casa (iogurte, pão e frios) e fomos de DLR até onde fica o trabalho dela para eu saber onde é. Fica em Canary Wharf, um bairro cheio de prédios altos e espelhados onde funciona o novo centro financeiro da cidade. Tudo muito novo em uma área de docas revitalizada, adorei! E fica a apenas algumas estações do apartamento.

De lá, segui de metrô até a estação Liverpool Street, e depois a pé até a Admiral Group, uma agência de empregos temporários indicada por amigos. Fiz um cadastro e uma entrevista e agendei para a próxima semana um curso de Saúde e Segurança que vai me possibilitar trabalhar para eles. Foi tranquilo e fiquei bem feliz de eles terem me aceitado e achado meu inglês suficiente.

Almocei um sanduíche no Pret a Manger (outra rede daqui) que tem ali perto da agência e segui de metrô para Covent Garden, para realizar mais um sonho antigo. Desci na estação e caminhei mais um pouco para onde já conseguia avistar aquele prédio branco, grande e lindo. A Royal Opera House estava, finalmente, ali na minha frente.

Dei a volta pela rua lateral do teatro pois queria entrar pela entrada principal. Fiquei parada um tempo ali observando aquelas portas de vidro e os cartazes anunciando os espetáculos. Algumas coisas por aqui me causam uma sensação avassaladora, e essa visão foi mais uma delas. Eu lá, sozinha, em Londres, na frente daquele teatro que por tantas vezes vi nos ballets das minhas fitas VHS, prestes a entrar naquele santuário de tantos bailarinos incríveis.

Nada me decepcionou. O teatro é antigo, mas é super moderno, uma mistura incrível. Circulei aonde podia, no saguão, corredores e lojinha, peguei alguns livretos e panfletos gratuitos e parei em frente a bilheteria. Naquela noite tinha apresentação de O Lago dos Cisnes. Eu já tinha visto a programação antes de sair do Brasil e sabia que estava em temporada, mas não me recordava os dias, horários e espetáculos.

Não resisti e comprei um ingresso de 15 libras para aquela apresentação. Foi só o tempo de voltar para a casa da Leila, tomar um banho, me arrumar e voltar para Covent Garden. Quando cheguei ao teatro, pude notar a eficiência britânica. O serviço é impecável, tem ajudantes espalhados por todos os lugares para te ajudar a chegar no assento comprado.

Comecei a subir as escadas, notando as fotos nas paredes, o tapete vermelho por tudo, a tranquilidade das pessoas (tipo “vamos ali assistir ao melhor ballet do mundo?”). Tudo muito civilizado e bonito. Peguei um programa e entrei no teatro.

Lá em cima no mezanino, onde ficava meu assento, já pude enxergar a decoração daquele espaço maravilhoso – tudo em vermelho e dourado, uma lindeza só. Quando me sentei, é que percebi a famosa cortina em veludo vermelho com as inscrições em dourado E&R que milhares de vezes vi pela televisão nos ballets. Quando as luzes diminuíram e orquestra começou a tocar, não contive a emoção de estar ali. Foi demais pra mim. É demais pra mim. Ainda não acredito que estou aqui, como se prestes a acordar de um sonho.

Pelos vários atos que se passaram (O Lago é um ballet longo), as horas foram rápidas demais. Curti cada segundo daquele espetáculo e vou me lembrar para sempre desse sentimento. Foi tudo muito: o teatro é maravilhoso, o ballet é legendário, os bailarinos impecáveis, os cenários e efeitos incríveis e a orquestra ao vivo um arrepio emocionante!

Saí de lá nas nuvens! Mas, como o espetáculo era comprido, já estava quase na hora do metrô fechar. Corri para pegar uma estação aberta e cheguei em casa bem. Pensei em boa parte do trajeto em como é difícil se desapegar do medo, já que no Brasil eu jamais estaria andando sozinha naquela hora de transporte público. Aqui é muito tranquilo e seguro, apesar de eu não conseguir me descuidar.

Assim encerrei mais um dia de sonho nessa cidade linda, pensando em como vai ser incrível a quantidade de coisas que eu ainda vou ver e fazer por aqui.

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