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Diários de Londres #5 – Conheci a Harrod’s!

O domingo acordou com um tempinho ruim, estava nublado com cara de chuva, friozinho. Ficamos dormindo até mais tarde e depois a Leila fez um almocinho básico pra gente (arroz branco e fish fingers). Nos arrumamos e fomos dar uma volta.

Leiloca quis ir na Harrod’s por causa da chuva. Fomos até a estação de Knightsbridge e andamos até lá. Por fora, o prédio é lindíssimo! Passeamos por essa loja enorme que vende de tudo. Foi incrível poder chegar perto daquelas roupas, vestidos, sapatos e bolsas de grife carérrimas que só vimos nas revistas e na tevê. Infelizmente, nada para o nosso bolso.

No subsolo tem uma homenagem à Princesa Diana e o Dodi al-Fayed, filho do dono, Mohamed al-Fayed, em função da morte do casal no trágico acidente em Paris. Esse senhor até hoje luta na justiça para reabrirem o caso por acreditar que o acidente tenha sido encomendado pela coroa.

Esse aí é o dono da Harrod's, Mohamed al-Fayed.
Esse aí é o dono da Harrod’s, Mohamed al-Fayed.

Depois, fomos no Guanabara, um bar brasileiro perto de Covent Garden. Nos domingos por lá é dia de forró. E eu pensava que estaria cheio de brasileiros – ledo engano! É cheio de gringos, tentando se divertir como os brasileiros. Tem brasileiro, claro, principalmente no serviço. Até encontrei um ex-colega de colégio, o Arthur, que trabalha lá, muita coincidência!

Tomamos umas caipirinhas e sentamos em uma mesa grande com uma turma de ingleses, onde finalmente pude praticar meu inglês com locais! Bebemos, nos divertimos, conversamos, fizemos amizades! Adorei o Guanabara, um clima muito bacana! (Até tem umas pessoas, digamos assim, suspeitas – que devem estar lá ilegalmente em profissões duvidosas -, mas todo mundo se divertindo de buenas.)

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Em casa no Guanabara!

Voltamos ainda no brilho da caipa, mas a tempo de pegarmos o metrô, já que não podíamos abusar pois o dia seguinte era segunda-feira. Eu começava as aulas e a Leila trabalhava cedo. Indo pra casa, não resisti tirar uma fotinho nesse grand jeté nos corredores do metrô.

Diários de Londres #4 – Sábadão em Notting Hill!

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Então já era sábado e a Leila não trabalha no final de semana. Fomos passear por Notting Hill, onde todo sábado tem a famosa feirinha Portobello Market. Descemos na estação e tomamos um café por lá mesmo. Depois começamos a adentrar a Portobello Road e percebi as lojinhas, brechós e boutiques que fazem a fama do charmoso bairro.

As casinhas coloridas, um amor!
As casinhas coloridas, um amor!

As casas são uma graça, uma de casa cor, ou ruas intermináveis de casinhas brancas iguais, tudo muito tradicional e muito limpo. Moraria lá certo. Quando começa o mercado, aí sim começa a bagunça. A feira reúne multidões nos finais de semana.

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No início, são diversas lojas tipo brique, com muitas antiguidades, louças e pratarias. Depois vem o mercadão, com diversas frutas e verduras, comidas de rua, comidas étnicas, temperos, pães, doces, comida caseira, etc. A sequência vira território livre! Gente vendendo tudo que é coisa e badulaques, desde souvenirs, até artigos para casa, cosméticos, coisas da China, roupas, óculos de sol, etc. Concorrência forte com os camelódromos do Brasil, mas com um charme londrino – sempre tem um cheirinho de algo sendo feito na hora pelas barraquinhas de comida e uma música ao vivo dos diversos artistas de rua.

O brique!
O brique!

Dali almoçamos no McDonald’s (note como ando saudável) e seguimos para Queensway, uma estação que tem umas lojinhas brasileiras onde a Leila queria comprar algumas coisas. Na mesma rua adentramos o Queens Ice and Bowl, um pequeno complexo de boliche com um rinque de patinação de gelo.

Por 10 libras, patinamos por 1 hora. Foi divertidíssimo, mas minhas canelas estão doendo até agora! Não cheguei a cair e por isso ri muito dos estabanados que haviam por lá. O lugar é pequeno mas não tinha tanta gente então foi bem tranquilo e deu pra curtir bastante!

Depois fomos pra casa nos arrumar, pois era sábado, né? Então a gente queria cair na night! Nos empiriquitamos e fomos no Walkabout perto de Leicester Square. Chegamos lá perto das 19h e conseguimos pegar uma mesa. Comemos uns petiscos e bebemos snake bite (uma cerveja misturada com groselha vendida em jarras).

O Walkabout é uma rede australiana de bares que tem Londres em diversos bairros. O esquema é o mesmo: até certa hora está todo mundo sentado vendo algum esporte, tomando drinks e comendo, depois, do nada, o pessoal arrasta as mesas e cadeiras para os cantos, o DJ começa a tocar as músicas mais bombadas no maior volume e o lugar vira uma night pegada.

Curtimos muito, dançamos até não aguentar mais as pernas (e os pés, no meu caso). Nunca mais saio de salto aqui, ninguém sai de salto aqui. É pedir pra sofrer! Como usamos sempre o transporte público, também caminhamos muito pela cidade, inclusive à noite. Depois de tudo isso ainda esperamos um tempão na parada de nightbus para voltar pra casa (o metrô não funciona de madrugada). Fiquei com o pé bem machucado, mas aprendi a lição.

Deu tudo certo, mais um dia incrível aqui em Londres!

Diários de Londres #3 – Assisti ao Royal Ballet!

A sexta-feira chegou e acordei junto com a Leila para sair. Tomamos um café da manhã em casa (iogurte, pão e frios) e fomos de DLR até onde fica o trabalho dela para eu saber onde é. Fica em Canary Wharf, um bairro cheio de prédios altos e espelhados onde funciona o novo centro financeiro da cidade. Tudo muito novo em uma área de docas revitalizada, adorei! E fica a apenas algumas estações do apartamento.

De lá, segui de metrô até a estação Liverpool Street, e depois a pé até a Admiral Group, uma agência de empregos temporários indicada por amigos. Fiz um cadastro e uma entrevista e agendei para a próxima semana um curso de Saúde e Segurança que vai me possibilitar trabalhar para eles. Foi tranquilo e fiquei bem feliz de eles terem me aceitado e achado meu inglês suficiente.

Almocei um sanduíche no Pret a Manger (outra rede daqui) que tem ali perto da agência e segui de metrô para Covent Garden, para realizar mais um sonho antigo. Desci na estação e caminhei mais um pouco para onde já conseguia avistar aquele prédio branco, grande e lindo. A Royal Opera House estava, finalmente, ali na minha frente.

Dei a volta pela rua lateral do teatro pois queria entrar pela entrada principal. Fiquei parada um tempo ali observando aquelas portas de vidro e os cartazes anunciando os espetáculos. Algumas coisas por aqui me causam uma sensação avassaladora, e essa visão foi mais uma delas. Eu lá, sozinha, em Londres, na frente daquele teatro que por tantas vezes vi nos ballets das minhas fitas VHS, prestes a entrar naquele santuário de tantos bailarinos incríveis.

Nada me decepcionou. O teatro é antigo, mas é super moderno, uma mistura incrível. Circulei aonde podia, no saguão, corredores e lojinha, peguei alguns livretos e panfletos gratuitos e parei em frente a bilheteria. Naquela noite tinha apresentação de O Lago dos Cisnes. Eu já tinha visto a programação antes de sair do Brasil e sabia que estava em temporada, mas não me recordava os dias, horários e espetáculos.

Não resisti e comprei um ingresso de 15 libras para aquela apresentação. Foi só o tempo de voltar para a casa da Leila, tomar um banho, me arrumar e voltar para Covent Garden. Quando cheguei ao teatro, pude notar a eficiência britânica. O serviço é impecável, tem ajudantes espalhados por todos os lugares para te ajudar a chegar no assento comprado.

Comecei a subir as escadas, notando as fotos nas paredes, o tapete vermelho por tudo, a tranquilidade das pessoas (tipo “vamos ali assistir ao melhor ballet do mundo?”). Tudo muito civilizado e bonito. Peguei um programa e entrei no teatro.

Lá em cima no mezanino, onde ficava meu assento, já pude enxergar a decoração daquele espaço maravilhoso – tudo em vermelho e dourado, uma lindeza só. Quando me sentei, é que percebi a famosa cortina em veludo vermelho com as inscrições em dourado E&R que milhares de vezes vi pela televisão nos ballets. Quando as luzes diminuíram e orquestra começou a tocar, não contive a emoção de estar ali. Foi demais pra mim. É demais pra mim. Ainda não acredito que estou aqui, como se prestes a acordar de um sonho.

Pelos vários atos que se passaram (O Lago é um ballet longo), as horas foram rápidas demais. Curti cada segundo daquele espetáculo e vou me lembrar para sempre desse sentimento. Foi tudo muito: o teatro é maravilhoso, o ballet é legendário, os bailarinos impecáveis, os cenários e efeitos incríveis e a orquestra ao vivo um arrepio emocionante!

Saí de lá nas nuvens! Mas, como o espetáculo era comprido, já estava quase na hora do metrô fechar. Corri para pegar uma estação aberta e cheguei em casa bem. Pensei em boa parte do trajeto em como é difícil se desapegar do medo, já que no Brasil eu jamais estaria andando sozinha naquela hora de transporte público. Aqui é muito tranquilo e seguro, apesar de eu não conseguir me descuidar.

Assim encerrei mais um dia de sonho nessa cidade linda, pensando em como vai ser incrível a quantidade de coisas que eu ainda vou ver e fazer por aqui.

Diários de Londres #2 – Meu primeiro dia aqui!

Acordei na quinta-feira com o sol no rosto. O quarto estava uma claridade absurda, pois a janela não tinha uma cortina nem uma persiana. Fui olhar as horas: 6h. Como está chegando o verão aqui, os dias são bem longos.
Não tinha mais sono. Só tinha vontade de levantar e começar a viver essa aventura maluca que é morar aqui. Me vesti e saí logo do albergue.

Dei de cara com uma Piccadilly Circus deserta, completo oposto do agito da noite anterior. Ainda era cedo e apenas algumas pessoas caminhavam com pressa para chegar ao trabalho. Parei um pouco para observar aquele lugar. Já era dia, mas o sol ainda não havia penetrado ali, escondido atrás daqueles prédios antigos.

Estava um pouco mais frio do que eu imaginava. Entrei em um McDonald’s onde tomei um café quentinho com donut e bisbilhotei num jornal, desses gratuitos que distribuem por aqui no metrô, que estava em uma mesa. Voltei para o hostel, coloquei calça e jaqueta (eu tinha colocado um vestido antes), organizei as minhas coisas e fechei a mala. Desci para fazer o check-out e deixar a mala no locker do albergue para passar o dia.

Desci para a estação de metrô e comprei um passe ilimitado de transporte, o Oyster Card, para uma semana. Parei para me situar e organizar o caminho que eu precisava fazer. Descobri rapidamente a lógica daquela teia de aranha que é o mapa do metrô de Londres e já saí para procurar a linha e sentido que eu precisava.

Depois da emoção de andar no metrô londrino pela primeira vez, cheguei na delegacia em Borough para fazer o registro obrigatório a todos os estudantes que ficarão aqui por mais de 6 meses, como eu. Esperei um pouco mas foi tudo bem eficiente e tranquilo.

Saindo de lá, voltei ao metrô novamente para ir à minha escola. A The English Studio fica bem em frente à estação de Holborn, onde passa a Central Line, então vai ser muito bom e muito fácil circular por ali. Fiz o teste de inglês e fiquei no nível Advanced. Terei aulas de segunda à sexta das 9 às 12h.

Também já encaminhei meu pedido para abertura de conta corrente no Barclays, um banco daqui para eu receber meu futuro salário, e o meu passe de estudante para o transporte, que tem um descontão. Saindo dali, sentei para almoçar um sandubão de baguette no Eat. – uma rede daqui. Depois, saí caminhando meio sem rumo e explorando o que encontrava pela frente.

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A famosa cabine vermelha! Tem por tudo, aqui!

Fui na direção sul e encontrei uma pequena igrejinha, chamada St. Clement Danes, já na avenida The Strand. Uma graça. Entrei, sentei no banco para admirar o interior dela e depois agradeci por estar aqui, por estar bem e por todas as coisas boas dessa vida.

Cheguei na estação de Temple e subi num terraço que tinha ali. Tive uma grata surpresa ao me dar conta que eu já estava na beira do Rio Tâmisa e já avistar a London Eye e o Big Ben. Fiquei por ali absorvendo aquilo tudo por um tempo e depois peguei o metrô ali mesmo para a estação de Westminster, onde eu tinha combinado de encontrar a Leila.

A primeira vez que vi o Big Ben!
A primeira vez que vi o Big Ben!

Mais chocada ainda fiquei quando saí da estação e dei de cara com o Big Ben de novo, mas dessa vez ali, bem pertinho. Estava no pé dele! Mal deu tempo de olhar muito e já encontrei a Leiloca querida. Saímos dali a pé e fomos até Oxford Street botando as conversas em dia e admirando a cidade.

Comprei na T-Mobile um telefone celular rosa bem bonitinho, pré-pago, por 25 libras. Circulamos pelas lojas sem comprar nada e depois fomos até o albergue pegar a minha mala para levarmos para a casa da Leila. Foi aquela confusão no metrô, mas o pessoal é muito gentil e algumas vezes nos ajudaram a carregar escada acima ou escada abaixo, até chegarmos na estação All Saints, onde fica a casa dela.

A região, East London, é bem interessante e diferente do que se imagina de Londres. São pessoas mais simples, de tudo que é tipo e lugar, vários restaurantes e lojas de comidas étnicas, e habitações mais populares. Mulheres de sari e de burca com crianças. Muitos africanos, indianos e muçulmanos, misturados com ingleses mais humildes. É uma região mais pobre, mas ainda assim tranquila, segura, razoavelmente limpa e com estrutura de transporte, escola, biblioteca e comércio muito acessível e a 15 minutos do centro.

O prédio da Leila fica num calçadão bem em frente à estação do metrô (nesse caso, DLR), então é só atravessar a avenida. Também tem um mercado de rua e um mercado Sommerfield bem no final da quadra, o que facilita bastante a vida. O único problema é que enquanto eu ficar aqui eu não terei a chave do apê, assim ainda dependo dos horários da Leila para vir pra casa. Mas a gente dá um jeito e ela está sendo uma amiga maravilhosa, uma irmã pra mim, muita sorte ter alguém assim logo na chegada.

A Leila aluga um quarto bem espaçoso com armário embutido e uma cama de casal. Vou ficar com ela até conseguir outro lugar para morar. No apartamento moram ainda um mexicano e um africano em cada quarto e três italianas que dividem o cômodo que seria a sala. Temos uma cozinha e um banheiro de bom tamanho para uso comum.

Tomei um banho, acomodei um pouco das minhas coisas e fomos num pub perto de Bank. Lá jogamos muita conversa fora, comemos umas batatinhas e tomamos uma cerveja. Depois voltamos para casa e dormimos, encerrando mais um dia maravilhoso e cheio de descobertas em Londres.

Diários de Londres #1 – Cheguei!

Nem acredito que estou aqui. Realizando esse sonho. Cheguei, então vou começar o diário dessa aventura incrível que está começando.

Saí de Porto Alegre na terça-feira à tarde e cheguei em Buenos Aires. Por lá fiz um lanchinho e umas comprinhas no freeshop (nada como começar uma história nova com um perfume novo, assim sempre que sentir esse cheiro vou lembrar disso tudo). Embarquei para Madri à noite e foi um voo tranquilo.

Chegando em Madri na quarta-feira pela manhã já estava um calorão, tive que comprar uma blusa de manga curta no freeshop de lá e me trocar. Atravessei aquele aeroporto enorme até achar o portão de embarque para Londres e, assim que achei, pude relaxar e comer alguma coisa.

Depois de um voo turbulento (uma lágrima escorreu de medo), cheguei no aeroporto de Gatwick já no meio da tarde e passei tranquilamente pela imigração. A única pergunta mais difícil, modéstia à parte, foi “por que você veio para cá aprender inglês se você já fala tão bem”, em que expliquei que queria pegar a fluência e tirar uma certificação.

Logo na saída já foi possível comprar o ticket do trem que me traria para o centro de Londres. Assim que peguei minha mala, achei um telefone público para ligar para a minha amiga Leila (que já mora aqui há 3 anos). Combinamos de nos encontrar na estação de London Bridge ao invés de Victoria, nosso acordo anterior. Quando cheguei na estação de trem do aeroporto, tive que trocar o meu passe de trem, e o senhorzinho foi muito gentil, acho que notou a minha alegria e ansiedade em chegar em Londres.

Estava tudo indo tão bem e eu estava tão eufórica que não entendi absolutamente nada quando, quase uma hora depois, desembarquei na estação de London Bridge e vi uma multidão correndo na minha direção. Demorei para assimilar o que estava acontecendo, até que resolvi perguntar para uma funcionária que me disse que todas as estações estavam fechando e que as pessoas estavam correndo para pegar os últimos trens.

Arrastei minha mala até um telefone público para ligar novamente para a Leila, que me confirmou o fato, dizendo que desde os atentados qualquer coisa é motivo para parar tudo e investigar até que a situação seja esclarecida – qualquer sacola esquecida em estação já parece ameaça de bomba. Ela estava num pub vendo a final da Liga dos Campeões da Europa entre Liverpool e Milan e não teria como vir ao meu encontro.

Como eu já tinha uma reserva no hostel Piccadilly Backpackers, resolvemos que eu seguiria meu rumo e nos encontraríamos no dia seguinte. Fui para a fila de táxis da estação, esperei um bom tempo mas consegui chegar no albergue 15 libras mais pobre. No caminho, já me apaixonei e me deslumbrei pela beleza da cidade ao entardecer…
Fiz check-in, deixei a mala no quarto, saí para conhecer as redondezas e jantar alguma coisa. De primeira, já dei de cara com os luminosos de Piccadilly Circus. Era tanta gente circulando, tanto barulho, luz e cor que foi difícil de assimilar. Esse lugar ferve, é cheio de vida. Difícil de descrever. Tentei me dar de conta de quem eu era e de onde eu estava, e do tamanho da minha sorte.

A fome veio e encarei um belo Burger King entre os milhões de turistas e jovens que circulam naquela região. Sentei no pé de uma estátua que tem ali mesmo, como tantos outros transeuntes fazem, e comi meu lanchinho bem feliz. Observei a quantidade de teatros ali da volta, os diversos e famosos restaurantes e lojas, e pensei em tudo que eu ainda tenho para viver aqui. A quantidade de gente diferente, de tudo que é canto do mundo. O fluxo intenso, as risadas, os ônibus vermelhos de dois andares cruzando na minha frente. A plaquinha do acesso ao metrô, bem ali. Eu estou em Londres!

O cansaço me bateu, após tantas horas de voo, de aeroportos e de ansiedade, e voltei para o albergue (que era sujinho e mal conservado, mas dava pro gasto). Como os banheiros são compartilhados, cruzei com uma menina enrolada na toalha e com um cara só de cuecas pelo corredor, e achei graça, falando para mim mesma que ainda vou ver muitas dessas diferenças culturais e muita loucura na convivência com uma galera nova longe de casa, muitos pela primeira vez.

Consegui tomar um banho bem ok e voltei para o quarto, onde arrumei a cama com os lençóis e a coberta que eu trouxe de casa. Observei pela janela do quarto escuro a parte alta de um círculo colorido. Cheguei mais perto para ver melhor. Ao fundo daquela vista, a London Eye me deu boa noite e me desejou as boas-vindas à Londres! Dormi feliz.