Nem acredito que estou aqui. Realizando esse sonho. Cheguei, então vou começar o diário dessa aventura incrível que está começando.

Saí de Porto Alegre na terça-feira à tarde e cheguei em Buenos Aires. Por lá fiz um lanchinho e umas comprinhas no freeshop (nada como começar uma história nova com um perfume novo, assim sempre que sentir esse cheiro vou lembrar disso tudo). Embarquei para Madri à noite e foi um voo tranquilo.

Chegando em Madri na quarta-feira pela manhã já estava um calorão, tive que comprar uma blusa de manga curta no freeshop de lá e me trocar. Atravessei aquele aeroporto enorme até achar o portão de embarque para Londres e, assim que achei, pude relaxar e comer alguma coisa.

Depois de um voo turbulento (uma lágrima escorreu de medo), cheguei no aeroporto de Gatwick já no meio da tarde e passei tranquilamente pela imigração. A única pergunta mais difícil, modéstia à parte, foi “por que você veio para cá aprender inglês se você já fala tão bem”, em que expliquei que queria pegar a fluência e tirar uma certificação.

Logo na saída já foi possível comprar o ticket do trem que me traria para o centro de Londres. Assim que peguei minha mala, achei um telefone público para ligar para a minha amiga Leila (que já mora aqui há 3 anos). Combinamos de nos encontrar na estação de London Bridge ao invés de Victoria, nosso acordo anterior. Quando cheguei na estação de trem do aeroporto, tive que trocar o meu passe de trem, e o senhorzinho foi muito gentil, acho que notou a minha alegria e ansiedade em chegar em Londres.

Estava tudo indo tão bem e eu estava tão eufórica que não entendi absolutamente nada quando, quase uma hora depois, desembarquei na estação de London Bridge e vi uma multidão correndo na minha direção. Demorei para assimilar o que estava acontecendo, até que resolvi perguntar para uma funcionária que me disse que todas as estações estavam fechando e que as pessoas estavam correndo para pegar os últimos trens.

Arrastei minha mala até um telefone público para ligar novamente para a Leila, que me confirmou o fato, dizendo que desde os atentados qualquer coisa é motivo para parar tudo e investigar até que a situação seja esclarecida – qualquer sacola esquecida em estação já parece ameaça de bomba. Ela estava num pub vendo a final da Liga dos Campeões da Europa entre Liverpool e Milan e não teria como vir ao meu encontro.

Como eu já tinha uma reserva no hostel Piccadilly Backpackers, resolvemos que eu seguiria meu rumo e nos encontraríamos no dia seguinte. Fui para a fila de táxis da estação, esperei um bom tempo mas consegui chegar no albergue 15 libras mais pobre. No caminho, já me apaixonei e me deslumbrei pela beleza da cidade ao entardecer…
Fiz check-in, deixei a mala no quarto, saí para conhecer as redondezas e jantar alguma coisa. De primeira, já dei de cara com os luminosos de Piccadilly Circus. Era tanta gente circulando, tanto barulho, luz e cor que foi difícil de assimilar. Esse lugar ferve, é cheio de vida. Difícil de descrever. Tentei me dar de conta de quem eu era e de onde eu estava, e do tamanho da minha sorte.

A fome veio e encarei um belo Burger King entre os milhões de turistas e jovens que circulam naquela região. Sentei no pé de uma estátua que tem ali mesmo, como tantos outros transeuntes fazem, e comi meu lanchinho bem feliz. Observei a quantidade de teatros ali da volta, os diversos e famosos restaurantes e lojas, e pensei em tudo que eu ainda tenho para viver aqui. A quantidade de gente diferente, de tudo que é canto do mundo. O fluxo intenso, as risadas, os ônibus vermelhos de dois andares cruzando na minha frente. A plaquinha do acesso ao metrô, bem ali. Eu estou em Londres!

O cansaço me bateu, após tantas horas de voo, de aeroportos e de ansiedade, e voltei para o albergue (que era sujinho e mal conservado, mas dava pro gasto). Como os banheiros são compartilhados, cruzei com uma menina enrolada na toalha e com um cara só de cuecas pelo corredor, e achei graça, falando para mim mesma que ainda vou ver muitas dessas diferenças culturais e muita loucura na convivência com uma galera nova longe de casa, muitos pela primeira vez.

Consegui tomar um banho bem ok e voltei para o quarto, onde arrumei a cama com os lençóis e a coberta que eu trouxe de casa. Observei pela janela do quarto escuro a parte alta de um círculo colorido. Cheguei mais perto para ver melhor. Ao fundo daquela vista, a London Eye me deu boa noite e me desejou as boas-vindas à Londres! Dormi feliz.